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Família-Escola: Que Relação
Maio, 2008
Dr. Eduardo Monteiro - Psicoterapeuta
www.insight.pt

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"Como mães e pais, desejamos ardentemente que os nossos filhos sejam bem sucedidos, e se a escola é actualmente parte tão central das suas vidas, então ansiamos que tenham sucesso escolar".
In, Marujo, H. et all.; (1998); "A Família e o Sucesso Escolar"; Lisboa: Editorial Presença

  Na altura em que escrevo, reflicto quanto à pertinência ou não de um estabelecimento de uma relação entre a família e a escola. Coloco em questão, nomeadamente, se uma postura de participação dos pais mais informal no processo de instrução dos filhos não será mais vantajosa do que canais mais formais de relação e comunicação, ou ainda, se a única participação eficaz dos pais no que respeita à escola dos filhos não se processa por detrás da porta de casa.

   Questiono-me, sobretudo, acerca das virtudes que uma colaboração entre família e escola poderão veicular ao aluno. O que é que se espera que resulte de uma colaboração mais estreita entre escola e família? Eventualmente, mais sucesso académico que conduza, eventualmente, a um maior sucesso profissional e que, consequentemente, conduza a uma melhor qualidade de vida... objectivo feliz!

   No entanto, uma breve pesquisa histórica acerca do desenvolvimento das relações família-escola mostra-nos, não só, que nem as partes estão interessadas numa relação de colaboração nem que, a existir, essa colaboração seja devidamente aproveitada no sentido de facilitar o processo de instrução do aluno. O que parece estar na base desta dificuldade é, não só, a falta de clareza quanto ao objectivo de tal relação, como também, a definição os próprio papéis que cada parte desenvolve e, finalmente, a flexibilização das posições de forma a permitir a relação. No fundo, só assim podem ser estabelecidos vínculos cujas partes protegem e cultivam, num processo construtivo.

   A ideia é que cada parte saiba bem o que lhe cabe e que expectativas se esperam delas e se esforce pelo zelo de suas tarefas, sem se arvorar de aspectos que não lhe dizem respeito.

   No entanto, reparando na história do relacionamento família-escola de onde emerge o actual diagnóstico, falamos de pais e de escola e não falamos de aluno. Como se a importância fossem os pais ou a escola por si só. Como se pudesse resultar alguma eficácia de uma eventual colaboração família-escola em que o aluno não participe. Como se estratégias engendradas entes estas duas instituições, nas costas do aluno, pudessem ser de algum auxílio ao aplicarem-se directamente no aluno.

   Do meu ponto de vista, não só, por vezes, a família penetra demasiado nas questões escolares, prejudicando a actuação destes últimos, como também, a escola por vezes, penetra em demasia nas questões familiares. Na realidade, família e escola, são indissociáveis, pois o background familiar (para englobar todas as variáveis que influenciam o desenvolvimento infantil pré-escolar) é de importância vital para as aprendizagens académicas, como também, a escola, faz parte de um projecto familiar (e a julgar pelo carácter obrigatório da escolaridade, parece ser um projecto de estado também) para o desenvolvimento da criança.

   Agora, os papeis de uma e outra são bastante diferentes: o papel dos pais é de autoridade/cuidador, não forçosamente pedagógico, e o papel da escola é o pedagógico, sem perder o seu carácter de autoridade e sem se esvaziar na componente técnica. Já o objectivo de ambos, junto do aluno, é o seu sucesso académico, ou melhor, a aquisição de competências! E é aqui que se pode encontrar algo de comum.

   Parece-me importante, mais de que o estreitamento de relações entre a família e a escola, uma reflexão acerca do seu papel junto dos filhos-alunos, e a forma como concebem a escola, percebendo esta como uma dimensão da vida das pessoas em geral e não tanto a própria vida delas. Assisto com frequência à degradação dos laços familiares por focalização excessiva nos insucessos escolares da criança, como se essa fosse a sua única dimensão.

   Em termos gerais, a direcção do desenvolvimento humano é a autonomia e a escola tem de ser percebida como tal principalmente pelo aluno, algo que permite a autonomia do próprio pelas competências que deverá veicular. Ora a autonomia óptima pressupõe um desenvolvimento "suficientemente harmonioso", em que os pais valorizam e ajudam a desenvolver as potencialidades dos filhos no que respeita aos seus gostos, competências, gestão de insucessos, disciplina, memória e atenção, motivação, criatividade, etc. e , acima de tudo, responsabilidade por si próprio. Tal pressupõe um ambiente familiar onde estas coisas aconteçam de uma forma espontânea e onde a criança se possa expressar de forma a obter feedbacks organizadores que a orientem na sua experiência. Àquela criança desejosa de ir para a escola aprender e que sente o mínimo de competência sobre as suas tarefas, gerindo os seus insucessos de forma construtiva e autónoma, pouco sentido lhe faz que os pais vão à escola "colaborar estreitamente" com esta... alias, pouco sentido faz à escola ter estes pais lá, a não ser como modelos. Crianças frágeis, com insucesso escolar (e eventualmente com problemáticas comportamentais), de pouco ou nada serve a colaboração família-escola, que grande parte das vezes se vai resumir ao mitigar dos falhanços da criança: os pais não vão propor medidas pedagógicas aos professores, nem os professores têm de propor medidas parentais para os pais. É neste aspecto que me aprece que o papel mais importante dos pais é o que é realizado em casa, durante o desenvolvimento da criança e que o papel mais importante da escola é o pedagógico (inerentemente relacional e técnico) estabelecendo estratégias operacionais e eficazes para fazer face ao projecto pedagógico da criança, que é esse o objectivo da frequência do aluno na escola. Neste sentido, parece-me, também, que a melhor colaboração entre a família e a escola é precisamente o veicular à criança confiança acerca da escolarização e ocorrências escolares, suportando e apoiando os anseios da criança e guardando para local próprio reacções relativas à própria escola. A melhor colaboração da escola relativamente à família será a de aliviar o peso da escola naquilo é a relação entre pais e filhos, já que uma interacção "infectada" de preconceitos negativos devido ao falhanço escolar apenas mitiga mais o mal-estar e sentimentos de incompetência do aluno, aspecto pouco reparador no que ao investimento escolar concerne.

   Ultrapassando a relação família-escola, parece-me essencial a reflexão acerca da relação aluno-escola, esta sim, com o fim de colaboração entre ambas as partes, já que a tarefa de ensino cabe, de facto, aos professores e a tarefa de aprendizagem cabe ao aluno. Sabendo que toda a aprendizagem é emocional e que a relação pedagógica, mais do que relação técnica, tem de ser uma relação também ela emocional de forma a que a sua mediatização seja significativa e suficiente, o que se tem feito? Qual a relação dos professores com os seus alunos? Qual a relação dos alunos com os conteúdos académicos? Como é que os alunos concebem os professores? Dificuldades de aprendizagem ou dificuldades de "ensinagem"? São algumas questões para uma próxima reflexão.

Artigo de Opinião – Maio 2008
Por Eduardo Monteiro Psicoterapeuta e Ludoterapeuta da Clínica INSIGHT-Psicologia. Serviços de Psicologia da Criança.
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