"Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco (...) E tu para que queres um barco,
pode-se saber (…), Para ir à procura da ilha desconhecida, respondeu o homem, Que ilha desconhecida, perguntou o rei disfarçando o riso, como se tivesse na sua frente um louco varrido (…) A ilha desconhecida, repetiu o homem(…), A quem ouviste falar dela, perguntou o rei agora mais sério, A ninguém, Nesse caso, porque teimas em dizer que ela existe, Simplesmente porque é impossível que não exista uma ilha desconhecida, ..."
In O conto da ilha desconhecida, José Saramago (Expo'98/Assírio e Alvim, 1997
Nesta história que viajou do papel para o palco, há uma voz que guarda em si outras vozes. Há um homem esculpido em madeira e uma mulher em tecido bordado, marionetas como nós humanas. Há estalidos de barco e sopros do mar. Há o desabrigo de quem se arrisca mar dentro e o abraço amigo de quem parte connosco…
Haverá Ilha Desconhecida?